
“A Opus – ou Obra – é o sentido do Alquimista. (…)
O objeto de sua Grande Obra é secreto e único, mas no geral consiste na busca pelo supremo, perfeito e essencial.
O astuto alienista suíço diz que uma Opus tem por objetivo o livramento de um universo,
ou então a retomada da alma do homem. ”
Ars, Johanna – 2021.
Fevereiro, 2026 – Campinas/São Paulo.
Os primeiros manuscritos para a Opus Alchymicum surgiram há quase três décadas, quando alguns dos inúmeros registros deixados por Alquimistas reais através da história saltaram de livros amarelados aos meus olhos. Me recordo do fascínio desperto em mim por aqueles tratados alquímicos, como as imagens de “Philosophia Reformata” (1622) e “Anatomia Auri” (1628) de Johann-Daniel Mylius (1583-1642), “Elementa Chemiæ” (1718) de Johann Conrad Barchusen (1666-1723), “Mutus Liber” (1677) de “Altus”, entre tantos outros.
Os símbolos transbordavam significado para além dos enigmas gravados nas imagens, e, pouco a pouco, mostravam um caminho para algo maior, que se abria à minha frente. Personagens tão enigmáticos quanto as descobertas desse passado quase esquecido surgiram em meus sonhos e pensamentos. Lançaram-se nas sendas espinhosas daquele caminho oculto.
A jornada de cada um deles pela Obra Alquímica, e o brilhantismo de Carl Jung e Edward Edinger ao trazer a Alquimia para a psicanálise, se transformaram então no livro “Opus Alchymicum – O Eterno Retorno”, o primeiro de idealizados três volumes, publicado em 2021 de forma independente, no digital e também impresso, (com poucos exemplares que não foram comercializados).
Sem dúvida, a maior transmutação que a Opus Alchymicum desencadeou foi a minha. A sua concepção – e de todo o sistema à sua volta – assim como o seu caminhar pelo mundo a partir da publicação, me fizeram maior, embora esse engrandecimento tenha um pouco do amargor da sabedoria que se adquire por uma Calcinatio.
Mas toda Calcinatio traz a iluminação. As ilusões não dissolvidas pela Solutio, foram purificadas pelo ardor desse fogo.
Essa luz sobre todo o processo – solitário, pois assim o quis – faz-me reconhecer as faltas, muitas vezes nascidas de uma inocência quase poética sobre o mundo que se estende para além do fascínio trazer personagens à vida e conviver com cada um deles.
E é a reparação que busco agora.
Muito do que os faziam mais humanos, sim, pois na Opus todos tem a humanidade – pelo menos em parte – dentro de si, foi tolhido. E ainda, não sei se por teima ou revolta, eles não se calaram, dizendo mais sobre si e sobre a jornada que percorreram, nestes últimos quatro anos. Não pude simplesmente seguir adiante fazendo dessas mensagens apenas lembranças dispersas em um novo volume, então hoje trabalho na segunda edição do Eterno Retorno bem como nos primeiros capítulos do próximo volume, enquanto atravesso – mais uma – Mortificatio.
Posso até dizer que tenho certa afinidade com estas trevas, de tanto tempo que já estive entre elas. De tornar as cinzas claras da calcinação em matéria escura, a Anima Candida germinou da Prima Materia. E, desse morrer e renascer, deixo aqui os contos: “Reditus Æternus – O Jardim de Anne”, “Solve et Coagula – Os Caminhos da Eternidade” e “Omnia Unus Est”, recortes da jornada de outros personagens envolvidos – indiretamente – na Opus Alchymicum, que ganharam vida. Até mesmo os Superiores, lá do alto do Éter.
Como disse o “astuto alienista suíço” em sua Mysterium Coniunctionis:
“Quando vires tua matéria tornar-se escura, rejubila-te: porque esse é o início da Obra”.

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